segunda-feira, 26 de março de 2012

O infanticídio já é politicamente correcto.

O político norte-americano Rick Santorum foi pai de uma criança que morreu poucas horas após o parto. Como uma pessoa normal, fez luto pela morte do filho. O corpo do bebé foi velado na sua casa, em família, antes do funeral.

Alguns inimigos do candidato republicano, como este, acharam piada à maneira como ele lidou com a tragédia e disseram que esse comportamento revela  a "loucura" de Santorum. 

Antes disso, Santorum já era um fanático e fundamentalista por não estar ao lado daqueles que defendem o "direito" a tratar como lixo os bebés em gestação no ventre materno. Entretanto, também passa a ser louco por ter feito o funeral do próprio filho. 

Apelando ao ridículo, aquele inimigo de Santorum assume ser de senso comum que um filho é uma coisa, um ser insignificante cuja morte  não justifica um velório em família. 

Num mundo em que Peter Singer é considerado um grande filósofo e referência ética não surpreende que organizar o funeral de um bebé já seja visto como um comportamento que dá má imagem aos políticos. Comparável a bater na mulher, ter amantes ou fugir aos impostos.

Não deve faltar muito para Santorum ser considerado louco, fanático e fundamentalista por ainda não ter assassinado os filhos que lhe restam.

Escrevi abaixo um exercício teórico, com argumentação semelhante à do famoso e recente artigo sobre o direito a matar recém-nascidos. Escrevi-o porque nas reacções a essa polémica vi que muitos ficavam mais incomodados com quem levantava a questão da moralidade de matar os autores do artigo, do que com a apologia do infanticídio feita por estes.

Se o direito a matar crianças pode ser discutido e argumentado em nome da liberdade de expressão (como alegam os autores do artigo e seus apoiantes), então o direito a matar defensores do infanticídio tem de ser considerado uma discussão ainda mais legítima.

Segue o argumento:

Pena de morte: deve o infanticida viver ?
Mostrando que tanto o cão raivoso como o infanticida não têm o estatuto moral de pessoas e que o isolamento de ambos, em jaulas, nem sempre é o mais útil para a sociedade, o autor argumenta que "interromper voluntariamente herodes" -matar infanticidas- deve ser permitido em todos os casos em que a matança de cães raivosos é, incluindo os casos onde o infanticida ainda não matou, mas constitui perigo e ameaça para a vida de outros.
O estatuto moral do infanticida é equivalente ao de um cão raivoso pois ambos revelam ausência de empatia pelas suas vítimas. Em vez de pessoas, cão raivoso e infanticida são bestas perigosas. Como não são pessoas, nenhum deles tem direito a viver. 
Tal como acontece com os cães raivosos, permitir aos infanticidas a vida em sociedade e liberdade implica risco de vida para outros. 
A hipótese de um determinado cão raivoso ser curado não é razão para proibir, em absoluto, o abatimento de cães raivosos. E o facto de um cão raivoso não ter ainda atacado qualquer pessoa também não é motivo para proibir que ele seja abatido por precaução. 
Da mesma maneira, a hipótese de um infanticida mudar de ideias, arrepender-se ou o facto de ainda não ter atentado, na prática, contra a vida de qualquer criança, também não é motivo para proibir a execução de infanticidas. 
Portanto, argumento que todas as circunstâncias que justificam a matança de um cão raivoso, justificam a matança de um infanticida. 
Poderá ser argumentado que prender o infanticida, isolando-o da sociedade, proporcionaria segurança às crianças e seria uma solução moralmente mais acertada. No entanto, a simples existência do infanticida pode ser causa de ansiedade e preocupação para as crianças, pais e sociedade. Existindo um infanticida, há sempre a possibilidade dele influenciar outros a matar crianças, mesmo estando preso. Ou, tal como acontece com os cães raivosos, de conseguir escapar da jaula.
Como tal, em vez de prender o infanticida, executá-lo é aquilo que melhor serve os interesses, a segurança e a qualidade de vida das crianças e da sociedade em geral.

Usando o mesmo critério da análise que muitos fizeram ao artigo sobre o infanticídio, para o elogiar, qualquer um pode ver que o meu texto também é composto de argumentos logicamente válidos cujas conclusões seguem das premissas.

Se o leitor fica mais chocado com o raciocínio que apresentei sobre o direito à vida dos infanticidas, do que com o raciocínio dos infanticidas sobre o direito à vida das crianças; os meus parabéns! Significa que sofreu uma lobotomia politicamente correcta, já se livrou da empatia e do senso comum. Acharia pior matar alguém que deseja matar crianças, do que matar crianças.

Se o leitor fica mais preocupado com a possibilidade de alguém ler este texto e começar a matar defensores do infanticídio, do que preocupado com o facto do infanticídio já estar legalizado em alguns países; significa que o leitor teme mais um desconhecido zé-ninguém sem qualquer influência política ou mediática, do que teme "académicos", "especialistas" e "filosófos" influentes e poderosos, que dizem ser capazes de matar crianças e têm realmente a legalização do infanticídio como objectivo.

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A ler:

[ Texto publicado no blogue; Contra o Aborto ]

«Newt Gingrich perguntou por que a grande imprensa daquele país jamais confrontou Barack Obama com seu favorecimento ao infanticídio quando era senador do estado de Illinois. - Como assim? Que conversa é esta? - muitos indagaram, entre democratas e republicanos.

Não, isto não se trata do tristemente famoso "Aborto por Nascimento Parcial", um procedimento que já é de gelar o coração até dos mais fortes, no qual o bebé já quase plenamente formado é retirado do útero de sua mãe, à excepção de sua cabeça, na qual é feito um buraco e enfiado um tubo por onde seu cérebro será sugado. Este procedimento é um horror à parte e teve também o apoio incondicional de Obama, mas não é sobre isto que Newt Gingrich falava.

O político republicano falava especificamente sobre Obama ter votado contra o Illinois´ Born Alive Infant Protection Act [Acto de Proteção ao Bebé Nascido Vivo do Estado de Illinois]. Esta legislação visava que crianças que acaso tivessem sobrevivido a tentativa de aborto fossem reconhecidas legalmente como pessoas, sendo obrigatório que lhes fossem dispensados cuidados médicos para mantê-las vivas.

Pois bem, nas 3 oportunidades em que esta legislação foi apresentada ao senado estadual de Illinois, o então senador Barack Obama votou contra. Para Obama, o suposto direito ao aborto vai tão longe que inclui a possibilidade de na eventualidade de um bebé sobreviver ao procedimento de aborto, que este seja abandonado à morte, como em casos já acontecidos na Grã-Bretanha nos quais até mesmo bebés que não haviam sido abortados foram deixados sem cuidado médico para que morressem ("Um bebé abandonado à morte" e "Hitler venceu?").

Ou seja, os pesquisadores Giubilini e Minerva não estão, infelizmente, falando de coisas novas. A Cultura da Morte vai tão avançada pelo mundo que uma pessoa como Obama consegue se eleger presidente da nação mais poderosa do mundo sem que a imprensa sequer o indague sobre suas ações como político, que na prática favoreceram o infanticídio. »

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